terça-feira, 30 de Agosto de 2011

Porto Sentido



(imagem extraída daqui)

Eu hoje não ía publicar nada, mas ao ver esta reportagem na Jamie Magazine fiquei com tanto orgulho que tinha que a partilhar. Jamie Olivier esteve no Porto. Calcorreou as ruas. Admirou os edifícios. Provou as francesinhas. Conheceu a hospitalidade dos tripeiros. E escreveu uma bela crónica de viagem.

Eu nasci no Porto e sempre vivi em Gaia. Dividi os estudos entre as duas cidades e parte da minha vida profissional também. Gaia tem uma costa fabulosa. Um cordão de praias limpas, enfeitadas de um rendilhado de rochas que ficam à vista na maré vaza. Tem um passadiço de madeira a convidar a caminhadas sempre acompanhados pela vista do mar e pelo cheiro a maresia. Tem mar e tem rio. Tem um cordão dunar em crescimento e um estuário que é uma Reserva Natural Local. Tem um parque da cidade - o Parque da Lavandeira. O Parque Biológico. Uma zona ribeirinha com uma movida constante e a melhor vista sobre a ribeira do Porto, esse "velho casario que se estende até ao mar". E do outro lado, atravessando a ponte D. Luís, está o Porto (pode utilizar qualquer umas destas pontes: da Arrábida (de carro), D. Luís (carro ou a pé pelo tabuleiro inferior e de metro ou a pé no tabuleiro superior), do Infante (a pé ou de carro), do Freixo (de carro) e a ponte de S. João (de comboio) que veio substituir a ponte D. Maria agora encerrada).

A este Porto criei um laço afectivo incorrupto. Eu amo o Porto. Granítico, cinzento, imponente. As gentes de sotaque cerrado. As ruas escuras e a cascata de escadas que descem da Sé até à Ribeira. O bairrismo e o orgulho de ser tripeiro. A convicção de que o Porto é do melhor. O FCP. O mercado do Bolhão e o do Bom Sucesso, actualmente envolvido num polémico processo de obras e reconversão, e as mercearias. A Rua de Santa Catarina e arredores que se enchia de um mar de gente na época natalícia. Tenho pena que o comércio tradicional comece a morrer. Doi-me a alma sempre que encontro aquelas ruas quase desertas a horas que antes se enchiam de gente num corre corre. Doi-me ver montras vazias onde antes existiam lojas de tradição. Alegro-me com as novidades, o renascer de prédios antigos que começam a albergar uma nova geração de jovens empreendedores. Alegra-me descer Mouzinho da Silveira, passar na Rua Galeria de Paris junto aos Clérigos, em Miguel Bombarda, na Rua do Almada e ver que há gente jovem que teima em reanimar o Porto. O S. João, a festa mais democrática de todas. O fogo de artificio das festas, mesmo quando não há, como aconteceu na minha primeira passagem de ano na rua.

Amo os eclaires da "Leitaria da Quinta do Paço", os gelados da "Sincelo", as bolachas da "Padaria Ribeiro", os croissants não folhados em qualquer café, pastelaria ou confeitaria, os rissóis da "Império". Não gosto do café do Majestic, mas gosto do Majestic, das francesinhas do "Capa Negra" e das larocas em qualquer tasco da Ribeira. Tantas outras iguarias e tantos outros locais. Estes são apenas alguns. Aqueles que eu elegi ao longo dos anos, mas não necessariamente os melhores, que os gostos não se discutem, felizmente. Adoro passear pelos jardins da Casa de Serralves e do Palácio de Cristal e de assistir a um concerto na Casa da Música ou no Coliseu onde muitas vezes se agradece aos artistas batendo com os pés no chão tabuado provocando um som estrondoso

E quando ouço turistas que se deslocam ao Porto na festa de S. João com o único propósito de participar na festa e quando alguém, seja quem for, escreve acerca do meu Porto e enaltece a cidade e as gentes, eu sinto-me comovida, orgulhosamente comovida e tenho que partilhar.
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